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As escolhas da seLecT na SP-Arte 2016.

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08 Apr 2016

No primeiro dia de SP-Arte, quando só os convidados circulam pelos andares da Bienal, muita coisa aconteceu. Só para início de conversa, Summer Love, tela imensa de Beatriz Milhazes feita em 2010, foi vendida por um valor não declarado pelo diretor da Dan Galeria, Ulisses Cohn. O boca a boca apostava, no entanto, em uma quantia entre R$ 14 milhões e R$ 16 milhões (ou de US$ 3,79 milhões a US$ 4,3 milhões). Se é fato, quebrou-se o recorde de preço alcançado pela artista no leilão da Sotheby’s de 2012, em que Meu Limão foi arrematado por US$ 2,098 milhões (na época, o equivalente a R$ 4,338 milhões).

O tom político de alguns trabalhos da feira teve como destaque a reedição pela Galeria Fortes Vilaça dos Biscoitos Doces (Galetitas Dulces), guloseimas com dizeres críticos que foram distribuídas ao público. A obra de Los Carpinteros ganhava coro com uma de suas maquetes, El Pueblo se Equivoca, frase escrita em um edifício de arquitetura fascista.

Numa edição mais enxuta, com 16 galerias a menos que no ano passado (de 140, passou a 124), a SP-Arte tinha no ar um leve tom de apreensão com relação às vendas, o que de forma geral não chegou a se confirmar. Se a feira não vai se superar em vendas, talvez não chegue ao último dia com um balanço tão negativo.

Com tudo isso, seLecT passeou pelos corredores da SP-Arte e fez sua seleção particular do que viu de mais interessante no primeiro dia e mostra aqui pra você, leitor. Confira:

O curador alemão Tobi Mayer abriu seu apartamento no Centro de São Paulo com uma proposta curatorial ousada e divertida, com trabalhos de nomes como Bárbara Wagner e Benjamin De Burca, Libidiunga Cardoso, Yusuf Etiman e Fabiana Faleiros. Levou uma versão construída especialmente para a feira, com direito a performance colorida de Melissa Stabile.

Obcecado com a ideia de repetição de imagens pictóricas (haja vista sua coleção de pinturas de Santa Fabíola que a Pinacoteca exibiu em 2013), Francis Alys estava presente no stand da Almeida & Dale com uma obra delicada, cujos contornos remetem a René Magritte e a surrealismo.

Com uma boa seleção de obras, a Casa Triângulo ganhou destaque da seLecT pela placa dourada de Ivan Grilo. À moda das identificações de monumentos públicos, a frase impressa no trabalho faz a exaltação do futuro, deixando em aberto inúmeras possibilidades de interpretação, mais ou menos otimistas.

No stand compartilhado entre Mendes Wood DM (SP) e Michael Werner (NY), as obras de Paulo Nazareth (à dir.) e A. R. Penck mostram o interessante encontro de artistas de diferentes contextos e gerações, propiciado pelo proposta das galerias paulista e nova-iorquina de aproximarem seus projetos. A junção na SP-Arte é um ensaio para a associação entre as duas galerias em um novo espaço no Upper East Side (NY), que deverá abrir em setembro de 2016.

No stand da Lisson Gallery (Londres), o uber videoartista Tony Oursler teve um pot-pourri de seus trabalhos de parede exibidos. Produzindo impressões  assustadoras e melancólicas pela projeção de imagens de rostos gravados em vídeo sobre suportes que vão de árvores a bonecos de pano, aqui o artista cria máscaras em que os olhos vivem, movem-se e dão dimensão humana a formas quase abstratas.

Um dos nomes mais influentes da geração dos anos 1960 no México, Gabriel Orozco sempre questiona em suas obras noções como nacionalidade, território, imigração e a relação entre diferentes culturas. Sentindo-se um estrangeiro em seu país diante das relações conflituosas com a porção latina da América e, ao mesmo tempo, tachado como imigrante durante o período de estudos na Espanha, nos anos 1980, explora a miscigenação cultural como no trabalho escolhido, que remete à herança indígena de seu país.

Na seção Solo da SP-Arte, o destaque é a colombiana Casas Riegner. A galeria apresentou a mini individual de Bernardo Ortiz, que aqui no Brasil é representado pela paulistana Luisa Strina. Com um trabalho minimal e delicado, o artista de Bogotá exibiu intervenções integradas à estrutura arquitetônica do stand.

A decana colombiana Olga de Amaral tem uma produção em tapeçaria e tecelagem que remonta à tradição indígena de seu país. Em peças mais recentes, usa o dourado como elemento que empresta às peças um aspecto mineral, quase sólido, evocando o metal cuja exploração foi símbolo – e mácula – da colonização sul-americana. A artista ganhou uma ampla seleção de trabalhos no stand da Galerie Agnès Monplaisir.

A delicadeza do trabalho de Dalton Paula, que faz pinturas sobre livros antigos que revertem a questão racial em favor do povo negro, ganhou exibição individual no stand da Sé Galeria, no setor Solo da feira. De quebra, o artista ganhou o Prêmio Illy Sustain Art, que revela e incentiva novos artistas (até 35 anos) de países em desenvolvimento. O valor do prêmio é de R$ 20 mil.

Após a polêmica da acusação de plágio (não confirmada) por parte de um francês, o filho de pedreiro Andrey Zignnatto tomou um novo rumo. Na contramão das dimensões colossais das obras que geraram polêmica, o artista paulista encontrou nas tramas das rendas brasileiras a intersecção perfeita com o barro e a arquitetura, criando pequenos cobogós que, urdidos lado a lado, ganham a aparência de tecidos leves e delicados.

O espaço Casanova Arte, de Adriano Casanova, exibiu na SP-Arte sua proposta de promover obras de grandes nomes a preços mais razoáveis, até R$ 10 mil. O destaque ficou para a série de fotografias de Claudia Jaguaribe inspiradas pela paisagem das Ilhas Galápagos e tonalizadas em matizes de vermelho.

Um dos integrantes do coletivo Los Carpinteros, o cubano Alexandre Arrechea comparece ao stand da Galeria Nara Roesler com uma obra inédita no Brasil. Máscara (2015) é uma tapeçaria em grandes dimensões que mistura as tradições afro-cubanas à herança construtiva europeia, num resultado de impacto visual.

Conferindo verniz pop à iconografia inca em seus Estandartes Fúnebres y Celebratorios (2016), o peruano Gabriel Acevedo Velarde faz a mescla da herança milenar de seu país e da diluição das fronteiras da contemporaneidade. Com os dois exemplares da série recentíssima, empresta seu colorido ao espaço da Galeria Leme

Wolfgang Tillmans é um dos fotógrafos mais representativos da geração do início dos 2000. Clicando tudo e todos que aparecem diante de suas lentes, fazendo composições experimentais com química fotográfica ou registrando os astros no céu, o alemão traduz com precisão a fragmentação e a pluralidade contemporâneas. Um de seus trabalhos de clima urbano, Central Nervous System ganhou posição nobre no stand da David Zwirner Gallery (NY), que usou um dos expedientes típico de Tillmans para expor seus trabalhos: clipes que sustentam a foto pendurada num fio de nylon.

fonte: http://www.select.art.br/escolhas-de-select/

Last Modified: Monday 16 May 2016 20:24
As escolhas da seLecT na SP-Arte 2016.